Em uma era marcada pela ascensão da Inteligência Artificial, é fácil presumir que dependemos da tecnologia como nunca. As possibilidades oferecidas por ela aumentam o anseio do público de ter acesso às conveniências cada vez maiores, mas a exaltação das empresas em oferecer soluções mais automatizadas podem gerar uma percepção de impessoalidade nos seus consumidores.

É por isso que, atualmente, a tendência é criar interações digitais amigáveis às pessoas, proporcionando um ponto de vista mais humano para a inovação. Já que o progresso não pode parar, é importante entender quais critérios de um produto tecnológico atendem as necessidades de seu usuário, pensando além do âmbito técnico.

Neste post, você vai entender como a humanização da tecnologia pode ser aplicada na prática, e quais desafios devem ser superados para facilitar essa integração.

A busca por inovações no Brasil

A implantação da Indústria 4.0 ainda não é uma completa realidade no país, em virtude das dificuldades de atualização e inovação em comparação com a indústria mundial. Tendo em vista que os custos de implantação são o principal obstáculo na adoção de tecnologias digitais para 66% das empresas, esse atraso dificulta a criação de uma rede de produção mais precisa e personalizações em massa.

Se a adoção da tecnologia no cenário nacional é um desafio por si só, o interesse pela humanização desse meio, bem como o aumento do investimento em experiência do usuário e usabilidade ainda não é uma prioridade para grande parte do mercado.

Apesar dessa realidade, algumas iniciativas procuram promover uma transformação digital humanizada em diversos setores privados para favorecer a competitividade e inclusão. A agenda de ações inclui a capacitação de funcionários, promoção da digitalização e sugestão de políticas públicas que favoreçam a economia digital.

Apelo sensorial para a tecnologia

Pessoas experimentam e vivenciam o mundo por meio do uso dos cinco sentidos. As máquinas, por outro lado, não possuem a mesma habilidade. É por isso que vemos a evolução de uma tecnologia que procura se comunicar conosco do jeito que já estamos habituados.

Neste contexto, o desafio é promover a humanização da tecnologia por meio de um design que sintetize sentimentos e ciência, já que a tendência é que as máquinas procurem ser mais sensatas do que mecânicas.

Alguns exemplos inovadores já fazem parte da realidade. Os chatbots estão integrando avanços nas tecnologias de reconhecimento de voz e processamento de linguagem para nos fazer sentir como se estivéssemos falando com um ser humano real. As interfaces virtuais (incluindo a realidade aumentada e virtual), por outro lado, exploram a dominância visual humana para reconstruir imagens e criar experiências imersivas.

Compatibilidade de inteligências

Processamento de dados, pesquisas, raciocínio lógico, deep learning…estamos, progressivamente, entregando esses tipos de inteligências à superioridade das máquinas. No entanto, ter o conhecimento sem ter know-how não é suficiente.

Isso porque de nada adianta ter relatórios detalhados, cálculos feitos com exatidão e dados coletados se a empresa não souber o que fazer com eles. Atualmente, ainda que seja possível “ensinar” uma máquina a realizar previsões ou reconhecer padrões por conta própria (por meio do machine learning), a inteligência social e emocional ainda são capacidades distintamente humanas, que não podem ser reivindicadas pela tecnologia.

Uma estratégia de engajamento, por exemplo, requer que a Inteligência Artificial e emocional atuem juntas, já que os seres humanos aprendem de forma mais abrangente por meio de histórias ou interações feitas de pessoa para pessoa, em vez de interfaces não humanas.

Neste contexto, o desafio é uma conciliação harmônica da Inteligência Artificial e humana, para que atuem de forma complementar. A humanização da tecnologia exige abordagens que tenham sido submetidas a partir da experiência humana, em vez de se restringir à sua funcionalidade ou sofisticação técnica.

A facilidade de uso dos novos dispositivos

Como podemos ver, o critério que decide se uma tecnologia será bem adotada não é necessariamente técnico. Os novos dispositivos precisam entender e nossas capacidades cognitivas humanas e melhorar a forma como fazemos as coisas naturalmente.

Para que seja humanizada, a tecnologia deve ser fácil de entender, bem projetada e otimizada em relação às pessoas e seus hábitos. Afinal, entre dois aplicativos que realizam as mesmas tarefas, o mais requisitado será aquele que apresenta uma interface mais clara e atraente. A experiência do usuário e a usabilidade são os diferenciais neste cenário.

Sendo assim, é essencial que a Inteligência Artificial aprenda conosco. A maior parte do desafio é aprimorar ainda mais a habilidade dos algoritmos que já temos para que sejam capazes de reconhecer as variações de sentido e o contexto dos dados que recebem. Não é à toa que as empresas que investem nessa personalização podem crescer em até 50%.

Preparo profissional e mercadológico

Já sabemos que, ao mesmo tempo em que a tecnologia eliminou a existência de alguns cargos, também criou uma nova demanda pelo trabalho verdadeiramente humanizado, que não pode ser substituído. O novo cenário marcado pela transformação digital exige uma conciliação entre automação e personalização, tornando a humanização da tecnologia uma necessidade.

Quem não se preparar para essa realidade e manter o “toque humano” terá dificuldades em manter sua relevância no mercado. Isso é um desafio para as empresas e profissionais mais tradicionais, em especial aqueles que possuem formação exclusivamente técnica.

Um estudo de 2018 feito pela IDC, constatou que mais de um terço das empresas considera difícil conciliar as interações digitais e humanas, e a maior barreira para isso está na falta de habilidades do colaborador. Isso acontece em virtude da ascensão de um tipo de conhecimento que deve ser mais integrado, e não apenas técnico.

Isso significa que, para que a humanização da tecnologia aconteça, o conhecimento deve ser compartilhado. Os nichos de saber tendem a ser trocados por equipes multidisciplinares, enquanto a educação formal do colaborador deve ser acompanhada de boas capacidades de convivência, empatia e conhecimentos gerais.

A humanização da tecnologia é essencial, especialmente em um contexto de transformação digital, no qual a inovação deve ser constante. Não se trata apenas de fazer os nossos equipamentos soarem e parecerem humanos, mas de promover avanços para a humanidade como um todo e melhorar sua qualidade de vida.

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